O Mito do Corvo


Na Era que aconteceu muito antes do tempo, quando os Deuses reinavam sobre o Reino de Áster, houve uma guerra entre as forças da luz e das trevas. No entanto, nem todos os Deuses tinham declarado sua adesão; um desses Deuses era Corvo. Corvo era o filho da Deusa Telete e do Deus Téramo. Quando a guerra irrompeu em Áster, Corvo viajou à ilha da lua para descobrir seu lugar entre os Deuses. Lá Cata lhe disse que, se desejasse o verdadeiro conhecimento de Si-Mesmo, ele devia passar através da lagoa de Umbréia e recuperar uma pérola que jazia no fundo. 

A lagoa Umbréia era cheia de líquido negro e calmo e ninguém conhecia sua profundidade. Reunindo coragem, Corvo mergulhou na lagoa, suas penas brancas parecendo, por um momento, a lua no céu noturno, e depois desapareceu nas profundezas de Umbréia, Ele não reapareceu por três dias, mas na terceira noite Corvo saiu da lagoa trazendo a pérola. Suas penas tinham se tingido de preto e ele podia ver tão claramente na escuridão quanto na luz. É por isso que hoje em dia os corvos são pretos e recolhem várias bugigangas, pois são todos filhos Dele. 

Devido à sua nova visão, Corvo não se juntou à batalha entre Luz e Trevas; ao contrário, viajava entre dois campos servindo de mensageiro. Nenhum dos lados confiava em Corvo e ambos o ameaçavam a cada vez que ele devia entregar uma mensagem, para se assegurarem de que ele faria o que tinha sido ordenado. Cata ficou com pena de Corvo e ensinou-o a usar a pérola para ganhar a introvisão dos corações e mentes dos outros; também lhe ensinou as artes da magia para que ele se protegesse. 

Na terra, Corvo encontrou adoradores e um lar. Ele deixou a companhia dos Deuses por muitos anos e viveu na Terra. Um dia, o Oráculo de Tanes falou com ele e revelou que os Poderes das Trevas estavam vencendo e o Mundo dos Humanos logo estaria em perigo. Corvo então reuniu muitos dos Deuses da Terra e outros Espíritos sob sua bandeira , que era vermelho-sangue, com um corvo voando para baixo.

Corvo levou seu exército contra as Forças das Trevas, pois elas estavam atacando Áster também. Devido à sua intervenção, o equilíbrio entre Luz e Trevas foi restaurado e Corvo pôde retornar a seu Reino da Terra.



O Mito do Corvo (Parte Dois)


Nos dias de Áster, quando os mundos tinham sido formados, Corvo foi o primeiro dos Deuses a descer ao Mundo da Humanidade. Corvo percorreu o mundo, analisou todas as criaturas que tinham sido feitas e ficou contente; porém, quando viu os homens e as mulheres que viviam neste mundo, ficou muito preocupado. Dissea si mesmo: "Essas pobres criaturas não tem garras para cavar raízes  nem podem correr tão rápido quanto outras criaturas e não tem penas ou pele para protegê-las dos elementos". Corvo acho-as criaturas realmente muito pobres. 

Corvo perguntou ao Povo se eles tinham fome e eles disseram que tinham muita fome; então, Corvo os ensinou a caçar e a fazer roupas; ensinou a tomar conta do mundo e não abusar de nada que tivesse sido criado. Então, Corvo presenteou-os com uma de suas penas, cujo poder lhes deu o Conhecimento e eles se tornaram mais inteligentes do que qualquer outra criatura no mundo. O Povo estava feliz e assim estava Corvo, mas ele notou, em suas muitas viagens de volta ao Mundo do Povo, que eles estavam começando a mudar. 

O Povo estava começando a lutar uns com os outros e a maltratar os animais e as terras que lhes tinham sido dados. Então , Corvo foi aos Deuses e Deusas de Áster e pediu-lhes ajuda, mas eles estavam muito ocupados com outros mundos que tinham criado e disseram a Corvo para voltar mais tarde. Corvo retornou ao Mundo do Povo, dividindo-os em diferentes clãs, separando todos os que estavam lutando entre si. Depois, ensinou-os como plantar para comer, para que não se encontrassem quando viajavam em suas caçadas.

Corvo não sabia que outros Deuses tinham vindo visitar o Povo enquanto ele estava fora. O Povo começou a se separar em grupos adoradores de diferentes Deuses e Deusas. Corvo chamou todos os Deuses e Deusas que estavam no mundo naqueles dias, Os quais eram nove: Dracos, Lupus, Cern, Cata. Canus, Civetta, Falca, Ursa e Corvo. Uma vez reunidos, Corvo falou-lhes e suplicou que mantivessem a paz entre todos os do Povo que viviam neste mundo; mas cada um dos Nove favorecia um certo clã e eles não conseguiam concordar em nada. 

Corvo então voou de volta a Áster e uma vez mais foi à presença dos Grandes Deuses, pedindo ajuda e, uma vez mais, eles lhe disseram para voltar mais tarde. Enquanto estava em Áster, Corvo começou a pensar num modo de enganar os Grandes para que fossem ao Mundo do Povo. Então, ele foi a cada Deus e Deusa separadamente e disse a cada um que era o mais belo de todos. como os Deuses e Deusas jamais tinham visto a si mesmos, começou a haver muita discussão em Áster para saber quem era o mais Belo. Então, Corvo contou que havia um espelho no Mundo do Povo e eles deveriam ir lá e julgar por si mesmos, olhando no espelho. Os Grandes concordaram em ir e Corvo disse que iria antes, para fazer os arranjos necessários.

Quando Corvo voltou ao mundo, contou aos Deuses na terra que os Grandes tinham de algum modo ouvido dizer que os Nove tinham criado um lindo espelho para eles e que viriam vê-lo. "Que vamos fazer agora?", disseram um ao outro, pois estavam preocupados que os Grandes ficassem Zangados. "Eu tenho um plano," disse o Corvo. "Faremos um grande espelho e vou mostrar-lhes como". Então Corvo mandou Dracos soprar as chamas para clarear um lugar na floresta. Na clareira, ele mandou Ursa, Canus e Lupus cavarem um grande buraco no chão. Depois, Corvo, Falca e Civetta voaram aos mares e trouxeram água nos bicos e logo encheram o buraco com água. Depois, Cern fisgou um pedaço da luz da lua para dentro da água com seus chifres e arrastou-o sobre o lago. Cata misturou a luz da lua na água, prendendo-a em volta das beiradas do buraco. Deste modo, formou-se o lago, que até hoje é chamado o Espelho da Deusa.

Quando os Grandes desceram sobre o Mundo do Povo, começaram o concurso para ver qual, dentre os que habitavam Áster, era o mais belo. Depois de muito debate, Uni, a Grande Deusa, foi escolhida e o Povo do Mundo deu-lhe o espelho como presente de seu amor e respeito, os Grandes Deuses jamais esqueceram o Mundo do Povo e visitavam-no frequentemente, de Tempos em Tempos.

Texto transcrito do Livro: Bruxaria Hereditária - Raven Grimassi pg.117-118 

"Dedicado ao Bruxo, Sacerdote e Filho da Deusa, ele cujo totem é um Corvo." 

Blessed Be!



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